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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Na contramão do mundo

   Quem é, ou melhor, o que é um cristão? Não é, certamente, alguém que recebeu por herança uma tradição familiar como quem herda um título de nobreza. Tampouco é alguém que, em sua infância, aprendeu de cor algumas fórmulas de fé ou que vai à missa algumas vezes, mais por força da inércia que por convicção.
   A fé, se não é vivida, acaba por transformar-se em uma coleção de afirmações que, não raro, soam como palavras vazias.

José Tapiro y BARO | The good Samaritan (La caridad del Samaritano)
   As coisas da vida só começam a ser entendidas quando começam a ser vividas. De outra maneira, encaradas de forma fria e intelectual, tornam-se artificiais. - Ignacio Larrañaga, Transfiguração 2012, p. 10.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Mais que um diálogo

   A comunicação não é mera conversa, intercâmbio de frases, perguntas e respostas, e nem sequer diálogo. Antes, trata-se de uma relação, ou melhor, de uma revelação interpessoal, onde há um amplo jogo no qual se cruzam reciprocamente as individualidades. É uma intercomunicação de consciências pela qual o outro vive em mim e comigo, e eu vivo "nele" e "com ele".
   [...] a comunicação é uma aventura e exige coragem. - Ignacio Larrañaga, Transfiguração 2012, p. 120.

sábado, 22 de novembro de 2014

Hino à humildade

   Desprendido de si e de suas coisas, o humilde se lança de cabeça no seio profundo da liberdade. Por isso, uma vez esvaziado de si mesmo, o humilde chega a viver, livre de todo medo, na estabilidde emocional de quem está além de toda mudança. [...]
   O caminho da humildade sempre aterrissa na meta do amor. - Ignacio Larrañaga, Transfiguração 2012, pp. 48-49.
Francisco de Assis (1182-1226)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O veneno e o antídoto

   A vida me ensinou que uma das coisas que maior tristeza e angústia produzem nas pessoas piedosas são os complexos de culpa, sistematicamente semeados por nós, na Igreja.
   Os complexos de culpa sempre têm estes dois sentimentos: tristeza e vergonha. Duas forças mortíferas e autodestrutivas. Na nossa espiritualidade, fica desterrado tudo isto. Envergonhar-se de nada, entristecer-se de nada, assustar-se por nada. - Ignacio Larrañaga, Encontro de Experiência de Deus.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Não sabemos nada

    Toda pessoa é mistério, isto é, um mundo e uma experiência que nunca se repetirão; eu só e uma só vez.
   O outro, como mistério que é, é um mundo sagrado; e, como sagrado, merece respeito.
   A primeira coisa que um sábio sabe é que não sabemos nada do outro, porque o outro é um mundo desconhecido. E a atitude elementar ante o desconhecido é, quando menos, a do silêncio, porque no fundo não sabemos nada do outro. [...]
   A falta de respeito chama-se maledicência. - Ignacio Larranãga, Transfiguração 2012, p. 109.

sábado, 23 de agosto de 2014

Quando mais é menos

   O mundo é falaz. Falaz significa enganoso ou de verdade aparente. A verdade aparente, no fundo, é mentira. O mundo crê que um homem, na medida que mais propriedades possui mais “senhor” é. Assim, por exemplo, uma pessoa tem três fazendas, duas casas e quatro carros: é indiscutível que de quanto mais posse dispõe, em mais regiões ou territórios pode exercer o senhorio, mais “senhor” é. Isto é verdade, mas uma verdade aparente.
   A verdade, no fundo, é outra, e oposta: quanto mais propriedades tem, mais atado está, menos livre é, menos “senhor”, porque cada propriedade que se sente ameaçada reclamará com o proprietário, gritando-lhe: “defenda-me!”. O proprietário se perturbará e a perturbação é um conjunto de energias defensivo-agressivas liberadas para a defesa das propriedades ameaçadas.
   É evidente que quando aqui falamos de propriedades, estamos falando de apropriação, nos referimos ao fato de tornar “meu”, “para mim” qualquer bem.
   Portanto, um homem, quanto mais propriedades possui, mais ameaçado vai se sentir e, por conseguinte, mais agressivo, mais temeroso, menos livre, menos “senhor”. - Ignacio Larrañaga, Transfiguração 2012, pp. 86-87.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Respeitar-se

   Toda pessoa é mistério, isto é, um mundo e uma experiência que nunca se repetirão; eu só e uma só vez.
   O outro, como mistério que é, é um mundo sagrado; e, como sagrado, merece respeito.
   A primeira coisa que um sábio sabe é que não sabemos nada do outro, porque o outro é um mundo desconhecido. E a atitude elementar ante o desconhecido é, quando menos, a do silêncio, porque no fundo não sabemos nada do outro. [...]
   A falta de respeito chama-se maledicência. - Ignacio Larranãga, Transfiguração 2012, p. 109.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

No fundo do poço

   É um círculo vicioso.
   Quanto menos se reza, menos vontade se tem de rezar. Quanto menos vontade de rezar, menos se reza. Quando menos se reza, Deus começa a afastar-se. Não é que Deus se afaste, mas a sensação perceptiva que temos é que Deus é “menos” Deus em mim, como que se tornou alguém distante, quase inexistente.
   À medida que isto ocorre, há menos vontade de estar com ele. Quanto menos estamos com Deus, Ele mesmo é menos presença em mim.
   E aqui e agora surge o seguinte fenômeno: à medida que Deus é “menos” Deus, eu sou mais “eu” em mim, para mim, aumentando o amor-próprio, ou seja, tornam-se mais presentes em mim os aspectos negativos do “homem velho”, os mil filhos do “eu” – vaidade, busca de si mesmo, ressentimentos, lacunas afetivas, rivalidades, tristezas, manias de grandeza, necessidade de autocompaixão, de mendigar consolo... - Ignacio Larrañaga, Transfiguração 2012, pp. 28-29.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

“Sereis como deuses”

   Se pudesse dominar o mundo, o homem o faria. Se pudesse apropriar-se de todas as criaturas, assim o faria. Sente uma sede insaciável de estima popular. Com frequência, sua vida é competição para ver quem logra maior supremacia. O pecado é apenas um: pretender ser “deus”.
   Tudo que ameace ofuscar seu brilho constitui um inimigo e, em seu coração, dá lugar à inimizade para desencadear uma guerra, com o fim de anular qualquer competidor.
   Quanto mais tem, crê ser mais livre, quando na realidade é mais escravo. Quanto mais propriedades possui, crê ser mais “senhor”, quando na verdade está mais atado que nunca, mais dependente é. Por seu insaciável desejo de ser o primeiro, castiga a si mesmo com invejas, rivalidades, sonhos impossíveis, manobras para lograr hegemonias que, em definitivo, o transformam em uma pobre vítima. Vive preocupado com a conquista de prestígio pessoal e, quando o consegue, vive morto de medo de perdê-lo.
   Em resumo, o homem é escravo de si mesmo e de suas apropriações, e a escravidão consiste na idolatria ou egolatria. A solução de seu problema está em desalojar o “deus-eu” e substitui-lo pelo Deus Verdadeiro. - Ignacio Larrañaga, Transfiguração 2012, pp. 71-72.

sábado, 19 de julho de 2014

Ideais

   "Os ideais são como as estrelas: nunca as alcançaremos. Porém, assim como os marinheiros, em alto mar, traçaremos nosso caminho seguindo-as." Jean-Paul Sartre - Ignacio Larrañaga, Transfiguração 2012, p. 5.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Apropriar-se

   Qualquer um de nós pode sentir o desejo de possuir algo, de torná-lo “meu”, “para mim”. Esse algo pode ser uma ideia, uma pessoa, um êxito, um cargo, um projeto, um nome, a imagem de mim mesmo... Torno-os “meus” na medida que os utilizo para minha própria satisfação ou proveito.
   E, assim, podemos estender uma ponte de energias adesivas, enlaçando minha pessoa com esse algo; a este enlaçamento, a este “torná-lo meu”, chamamos  apropriação. O pior que pode acontecer é que esse algo seja “eu mesmo”: nesse caso, eu me transformo em proprietário de mim mesmo. [...]
   Quando o “proprietário”, ligado emocional e possessivamente a algo, pressente que sua apropriação está ameaçada ou há o risco de perdê-la, emite uma descarga de energia emocional em defesa das propriedades ameaçadas; é o medo que, rapidamente, pode tomar, de acordo com o caso, a forma de sobressalto, ansiedade, agressividade. - Ignacio Larrañaga, Transfiguração 2012, pp. 49-50.

sábado, 12 de julho de 2014

Um olhar divino

 [...] quando os olhos do homem estão povoados de Deus, tudo o que esses olhos contemplam aparece revestido de Deus. - Ignacio Larrañaga, Transfiguração 2012, p. 32.