| Alumnas del Colegio Santa Ana, Martín Chambi (1936) |
Nasci em um dia
do verão de 198_, filha de um comerciante de milho e da professora de literatura
espanhola do Colégio Sant’Anna, internato tradicional de Cusco mantido pelas irmãs
da Congregação das Filhas de Sant'Anna.
Depois de
sucessivos abortos dolorosos para minha mãe, fui a única filha que vingou, o
que selou minha vida sob o peso de suas esperanças. Assim como a mãe do profeta
Samuel, ela fez um pacto com Deus.
Com cinco anos,
fui para a escola pela primeira vez como aluna interna – meus pais criam que as
Filhas de Sant’Anna protegeriam meu corpo e minha alma.
Enquanto cada
novo período letivo me impunha seu peso na rotina das aulas, no automatismo das
preces diárias, no rigor do silêncio, meu coração impaciente vivia na esperança
do retorno ao convívio dos meus pais – livre daquela existência que eu
acreditava provisória.
Nas férias em que
eu completaria o ensino médio, papai
veio sozinho me buscar. Nem me passou pela cabeça que momentos tristes eu teria
pela frente. Pelo caminho, me contou que mamãe não estava bem. “É câncer”, por
fim ele desabafou com a voz presa na garganta.
Pouco a pouco, fui
perdendo sua presença pela distância que cirurgias e internações interpunham
entre nós. Lembro-me quando ela morreu – eu tinha 18 anos. Sua morte me
proporcionou o que eu considero minha primeira experiência religiosa quando fui
levada ao quarto para ver imóvel aquela que fora radiante.
Desconcertado e
por julgar não ser bom eu ficar sem mãe, papai me confiou às Filhas de Sant'Anna
para uma vida religiosa.
Esta foto
registra o dia em que iniciei meu postulado. Assim se cumpria o pacto feito por
minha mãe. Ela estava ao meu lado quando, no silêncio da consagração, de joelhos
respondi: "Fala, Senhor, porque a tua serva escuta".