Era
uma vez... uma avó e uma baratinha. As duas se encontraram numa certa cozinha
na madrugada de um certo dia.
A
avó foi beber água e a baratinha foi procurar água. As duas precisam de água
para viver. Não se conheciam, mas a antipatia foi imediata.
Ainda
sonolenta, com os olhos semiabertos, a avó esticou o braço e abriu por engano a
gaveta dos talheres.
No
silêncio daquele quase amanhecer, se ouviu o farfalhar das patinhas da
baratinha e o grito estridente da avó: “Que horror, uma barata!”
A
baratinha fugiu pra dentro da gaveta e a avó fugiu pra longe da gaveta. A avó
não conseguiu mais dormir só pensando como expulsar a baratinha da sua casa. E
a baratinha entrou numa fresta minúscula do armário onde morava e lá ficou
parada, imóvel, para repor as energias.
Amanheceu... A avó, que não sabia nada sobre baratinhas, perguntou em livros e telas pra quem sabia tudo – inclusive como eliminá-las! Mas, ao descobrir que até elas trabalham para o bem do nosso Planeta, desistiu de acabar com a baratinha. Também porque ninguém conseguiu sumir com elas desde que foram criadas há mais de 400 milhões de anos.
Então,
cheia de sabedoria, a avó resolveu fazê-la se mudar. Colocou um ramo de folhas
frescas de louro na porta de entrada da casa da baratinha – aquela
fresta minúscula do armário –, tampando sua saída. A baratinha acordou com
o cheiro forte, torceu as anteninhas e decidiu que ali não era mais o seu
lugar.
A
avó e a baratinha nunca mais se encontraram e continuam não se gostando.
LIC

