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sábado, 23 de maio de 2015

A morte II

   A vida é entretecida de morte. Em minha existência, ao longo de uma permanente renovação celular no aspecto biológico, e de uma constante evolução de minha personalidade, a vida e a morte não se contrapõem. São um par: a morte vai adiante com a vida em seu seio.

   A morte é um fenômeno que, como morte, não tem substância. Então, o que a morte contém? Vida. Neste ponto desconhecido que é a morte, começa a vida. A atual civilização, de tanto rejeitá-la, rejeitou também o que nasce da morte: a vida. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 244.


sexta-feira, 22 de maio de 2015

A morte I


   Diz Epicuro: “Não é preciso preocupar-se com a morte, porque ela não pertence à vida”. Por outro lado, Heidegger escreveu: “A morte possibilita ao ser humano exercer a própria liberdade, dado que é um fenômeno individual, pessoal, que ocorre no mais profundo de cada ser”. Com isso, o filósofo dá uma pincelada magistral para a humanização da morte, tarefa urgentíssima para nossa época. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 222.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Dor e amor

   Não há anestesia mais eficaz nem morfina tão adormecedora quanto aceitar voluntariamente a dor como permissão da vontade de Deus e depositá-la em suas mãos como oferenda de amor e, por esse caminho, dar à dor um valor, um sentido, uma utilidade. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 142

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sabedoria

   Sabedoria é o que a passagem da vida nos deixou: um punhado de certezas e evidências. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 191.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Superando a solidão

   O equilíbrio interior começa quando a pessoa aprende a estar consigo mesma, não se limitando a fazer algo, como ler, ouvir rádio ou ver televisão, mas, simplesmente, ficar a sós consigo, introspectivamente, alcançar seu interior, esse interior tão fugidio e tão pouco explorado, em razão do medo do que possamos encontrar.
   Esses momentos de harmonia e paz servem para abrir a mente e entrar em contato com o desconhecido e sublime que há dentro de nós. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 176.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A "inominada"

         Vou me deitar para morrer 
porque estou a ponto de nascer.

   Tão certo como o Sol que surge todas as manhãs, tão evidente como o fato de inspirarmos oxigênio e expirarmos dióxido de carbono, tão seguro como a chuva que cai do céu, inapelável será a chegada do transe final, no momento e lugar imprevistos.
   A palavra “morte”, em nossa sociedade, é uma palavra tabu: é de mau gosto pronunciá-la em voz alta. Para a pessoa moderna, eminentemente agnóstica e hedonista, a morte é um brusca interrupção de um grande banquete e, por isso mesmo, inimiga fundamental da vida. Para essa pessoa, a morte não só causa pavor, mas também uma repulsa visceral, cujo nome não se deve pronunciar e contra a qual é preciso lutar com todos os meios que estiverem ao seu alcance.

Ingmar BERGMAN | O Sétimo Selo | 1956
   Não, não é uma filha da manhã, mas um espectro da noite, que caminha sob as asas do silêncio. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 220.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Há que se cuidar do amor

Morto o amor, que sentido tem o casamento?
   O amor não se apoia em razões para amar. Nasce espontaneamente. Surge repentinamente no lugar e no momento menos esperado, sem explicação nem motivo.
   Se existe esse sentimento, não se pode ocultá-lo. Se não existe, é impossível fingi-lo.
   O amor nunca pede, sempre dá. Esse amor não se busca, encontra-se, ou melhor, vem ao encontro da pessoa e, com frequência, de forma imprevisível; é misterioso, e o mistério é inefável: vive-se, mas não se define. [...]
   Não se pode esquecer, porém, que o amor é um sentimento e que, como tal, não deixa de ter um caráter de fugacidade.
   O amor, pois, está sujeito ao assédio pertinaz do tempo e, como roupa, pode ir desgastando-se com o uso de cada dia. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 65.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Necessidade de Deus

   Há fenômenos humanos que sem Deus são insuportáveis, para não dizer impossíveis de aguentar. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 8.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Males da contemporaneidade

   Uma vida de persistente tensão, vivida superficialmente em uma sociedade de alta velocidade, às vezes, com competitividade desleal, necessariamente, leva a pessoa a um esforço mental devastador e acaba por lhe corroer todas as forças vitais, até aterrá-la em um esgotamento irremediável.Por esse caminho, pode apoderar-se da pessoa uma inquietude tão profunda que chega a acabar com os ideais de sua vida, consumindo-lhe as energias mais vitais até reduzi-la a um estado de cansaço crônico, abatimento próximo à depressão, sendo, afinal, visitada por dois filhos típicos do cansaço, que são a decepção e o tédio. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 45.

domingo, 9 de novembro de 2014

13 agosto 1961 — 9 novembro 1989

   
   Para um mundo ser construído, outro mundo tem que desmoronar anteriormente. - Ignacio Larrañaga, O Irmão de Assis 2012, p. 10.

sábado, 18 de outubro de 2014

Pensar na morte? Pra quê?

   O sistema econômico oculta a ideia da morte e não quer saber nada de sua fugacidade. A lembrança da morte nos manda ao nosso próprio interior, para fazer nossa vaidade e nossos afãs superficiais evaporarem.
   Sermos conscientes do transe final leva-nos a enfrentar a realidade viva de nossa última solidão e pensar na morte não para desejá-la, nem temê-la, mas para viver uma vida mais plena, solidária e autêntica.
   Nem consciência atormentada pela brevidade da vida, nem esbanjamento compulsivo de prazer em uma existência opulenta, nem aterrorizada mesquinhez, em razão da inevitabilidade do final.
O certo é pensar na morte sem traumatismos, para pensar na necessidade de viver uma vida em plenitude. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, pp. 226-227.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Em busca do sentido perdido

   Vivemos uma época de crise que se distingue pela sensação de vazio existencial ou perda do sentido da vida. Por isso, estamos necessitados de transcender-nos continuamente, de dar passos para a frente.
   Transcender-se é ir além; superar de alguma maneira as próprias fronteiras e limites pessoais. O ser humano não é uma entidade acabada; é um devir, um estar fazendo-se na contingência. A questão é abrir-se cada vez mais à dimensão da profundidade, como dizia Goethe: “A divindade atua no vivo, no que se torna e muda, não no consolidado e inerte”.

Normalmente, as Igrejas são as encarregadas de manter viva e crescente essa transcendência, mas elas se transformaram, como diz Balducci, em ideologias sacras, com uma linguagem em desuso que não nos diz nada. Isso explica o desencanto crescente e a tendência a desfazer a filiação a essas Igrejas.  
   Em contrapartida, surgem por toda parte seitas, ofertas e propostas de todas as espécies – sinal evidente de que infinitos finitos da sociedade consumista não podem saciar um poço infinito. Só um Infinito pode enchê-lo.
   Por isso, vai chegar – e já está chegando! – uma nova era de fome de Deus, uma busca ardente e profunda do Deus vivo e verdadeiro. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, pp. 30-31.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Da derrota à vitória

   Esta é a pergunta transcendente: “Como enfrentar o fracasso?”. Diante da derrota, é preciso tomar a atitude cética de quem diz: “No fim, é tudo a mesma coisa; nada importa”. Também é preciso tomar outra atitude, a da esperança, que diz assim: “Vamos começar outra vez; amanhã será melhor”. E, no decurso dos anos, a esperança dará à luz duas filhas, que se chamam paciência e perseverança. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 67.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Por último

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Se passarmos a vida construindo pontes em lugar de muros, se abrirmos janelas para o mundo e não nos encerrarmos em uma cela cheia de espelhos em que só vemos nós mesmos, não temos porque temer a solidão. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 181.

sábado, 26 de julho de 2014

Um ser social

   A época em que vivemos, humanamente falando, é horrível: a tendência para a competitividade não só isola as pessoas e familiares entre si, mas também transforma os competidores em adversários e inimigos. A economia de mercado impulsiona o egocentrismo e produz solidão social, e a globalização é uma imensa solidão no âmbito internacional. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 171.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Consumidores de emoções

   Somos uma perpétua contradição: queremos estar ao mesmo tempo satisfeitos e insatisfeitos, concentrados e dispersos, em calma e em tensão.
   Não somos capazes, porém, de viver sem estímulos, porque somos insaciáveis consumidores de emoções; saltamos como estrelas cadentes de um estado a outro, de um hemisfério a outro, mostrando-nos alternadamente alegres, tristes, humildes, altivos; enfastiados, arrojados, desconfiados; satisfeitos, ofendidos, cheios de mil formas de receio, tendo, como diz Quevedo, “um breve descanso muito cansado” entre um estado e outro.
   No centro de nossa personalidade, no fundo do coração, mora um inventor de novos sentimentos e estranhas ocorrências que precisamos deixar acontecer e que, no fim, vão nos arrastar para o poço do cansaço. E assim vai indo a roda giratória da vida: mil necessidades fizeram surgir novos desejos; e as paixões, que estes geram, são a fonte mais fecunda de desordens que afligem o ser humano, cansam-no e o fatigam. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2011, pp. 40-41.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Abertura para a vida

   Quanto mais a pessoa se abre para a vida, tanto mais delicada se faz a sua capacidade de captar a beleza da criação, as alegrias da humanidade. Quanto mais ela cresce em compreensão, em percepção estética, na apreciação de valores, tanto mais cresce como pessoa, por conseguinte, e amadurece a consciência de sua própria singularidade.
   Essa consciência, que nasce como fruto de um amadurecimento pessoal, não leva a pessoa à frustação ou ao isolamento; ao contrário, leva-a à abertura para os irmãos, com um sentimento de respeito pelo mistério individual. - Ignacio Larrañaga, As Forças da Decadência 2005, p. 177-178.