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quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

BELLA ITALIA - LA FINE DEL VIAGGIO

 

DA LUCCA A MILANO - DA MILANO AL BRASILE

Terminado o passeio a Cinque Terre, retornamos de La Spezia para dormir uma última noite no Villa Lucrezia em Lucca.

Logo cedo, estaríamos sulle strade italiane in direzione Milano, per circa tre ore.

O voo Malpensa-Guarulhos estava confirmado para as 13 horas do dia seguinte, 30 de maio.

Depois de um bom trecho de estrada, paramos em Piacenza, a cerca de 63 quilômetros de Milano. Parecia ser uma boa cidade para almoçar. Era entre uma e duas horas da tarde. 

Foi lá que vivenciamos la chiusura del pomeriggio, algo muito comum nas cidades pequenas. Piacenza parecia uma cidade fantasma, pura calmaria, com repartições públicas, restaurantes, o comércio fechados e gente voltando para casa, não necessariamente para tirar uma soneca, mas almoçar com a família, cuidar dos filhos, do cachorro. 

Para nós, turistas desavisados, foi um problema. Saímos de lá quase cinco da tarde, também porque o Danilo, que fora estacionar o carro, teve dificuldade de voltar até onde estávamos e não encontrava viva alma para orientá-lo.

Chegamos à Osteria della Pista, um hotel próximo ao aeroporto, à noite, pois a estrada estava congestionada de veículos e motos. Só tivemos tempo de levar as malas para os quartos, tomar um banho e descer para o nosso último jantar em solo italiano, de despedida. Foi um fechamento gastronômico com chave de ouro, pela qualidade da comida deliciosa e pela beleza do restaurante da Osteria.

Il 30 maggio siamo partiti per il Brasile.

Acomodada no assento do avião, ho sentito il mio cuore spezzarsi. Um pedaço ficara em Polignano a Mare, outro em Lucca.

Ainda não conseguia acreditar em todas maravilhas que havia visto e nas indescritíveis emoções que havia sentido.  

Apesar da saudade dos meus queridos que haviam ficado no Brasil, da vontade louca de revê-los e abraçá-los, eu tinha ímpetos de levantar daquele assento e voltar correndo pra aqueles lugares onde havia deixado meu coração. 

Aquela não havia sido uma simples viagem turística, era a realização de um sonho, um sonho que meu pai e meu avô, ao contarem as histórias delle loro città, ainda que, muitas delas, frutos da imaginação, haviam partilhado comigo e inculcado de tal maneira em minha mente e coração que, ao me deparar com elas, a imagem e presença deles era tão forte e palpável que, para mim, eles estavam ali comigo. 

Ainda agora, scrivendo quest'ultimo atto, a emoção me invade, me arrepia e as lágrimas correm livres, como quando eu estava lá. 

Lembrei-me da voz da Maysa, cantando “... Ah, vontade de ficar, mas ter que ir embora...”, ao fechar os olhos na decolagem. 

Naquele momento, fiz uma promessa a mim mesma e um último pedido a Deus, que já havia me presenteado com tantas bênçãos (mas Deus pode fazer muito mais do que aquilo que pedimos ou pensamos). 

Que me permitisse voltar, dessa vez pra ficar, pra que, enquanto me restar um fôlego de vida, eu possa descobrir ainda mais belezas e emoções dessa terra, della mia bella e amata Italia, la terra di miei antenatti, dove ho lasciato il mio cuore.

Pesquisa e texto: LIC

Fonte e texto final: Maria Ana Centrone Santini

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

BELLA ITALIA - DICIOTTESIMO ATTO

 

A CINQUE TERRE

No último dia de passeios pela Itália, visitamos il Parco Nazionale delle Cinque Terre, um conjunto de vilas centenárias incrustadas, à beira-mar, na acidentada costa da Riviera Ligure e uma de suas principais atrações turísticas.

Monterosso al Mare, Vernazza, Corniglia, Riomaggiore e Manarola agarram-se aos terraços íngremes com suas casas pintadas de cores vivas. Bellissimo!

A partir de La Spezia, uma cidade portuária da Ligúria, o acesso a cada uma delas pode ser de barco, de trem ou a pé pelo Sentiero Azzurro, uma trilha costeira nel Golfo dei Poeti, com vista panorâmica sobre o mar em todo o percurso, que pode ser percorrida em 5 a 8 horas, assim como poetas famosos – Lord Byron, Mary e Percy Shelley, Dante Alighieri e Eugenio Montale – fizeram ao longo dos séculos.

Coerente com nosso perfil, nem aventureiro nem com preparo físico para longas caminhadas, optamos por viajar pela ferrovia Gênova-La Spezia, que faz paradas em Levanto, Monterosso, Vernazza, Corniglia, Manarola, Riomaggiore e La Spezia, mas a linha do trem nem sempre passa por dentro das cidades.

Abbiamo viaggiato da Riomaggiore a Manarola, Corniglia, Vernazza e infine Monterosso al Mare. Descemos apenas em três. 

Em Riomaggiore, uma linda vila costeira que inspirou o cenário de “Luca”, animação da Disney Pixar de 2021, me agradei apreciando de um mirante a paisagem deslumbrante. A estação fica numa encosta e o elevador que dava acesso à cidade estava quebrado.

Em Vernazza, como a estação fica a poucos passos do centro da cidade, da praia e do quebra-mar, passeamos bastante. Tomamos um Aperol, comemos e abbiamo fatto acquisti in um mercato con banchi di tutti i generi.

E em Monterosso al Mare, que eu amei. Me pareceu uma Guarujá all’italiana, com uma extensão de praia considerável, grandes hotéis, restaurantes, comércio e casas à beira-mar com terraços repletos de primaveras. Almoçamos por lá num restaurante delicioso.

Danilo e io siamo tornati in barca in un pomeriggio molto piacevole con sole e cielo azzurro.

O percurso é mais demorado, mas nos deu a oportunidade de admirar a costa numa nova visão também encantadora das Cinque Terre, de suas casas coloridas que parecem empilhadas, dos vinhedos agarrados aos terrenos íngremes e dos seus portos repletos de barcos de pesca, veleiros e lanchas.

Pesquisa e texto: LIC

Fonte: Maria Ana Centrone Santini

 

sábado, 11 de janeiro de 2025

BELLA ITALIA - DICIASSETTESIMO ATTO

A LUCCA

Alegria mesclada com saudade me inundou quando, no dia seguinte, conhecemos Lucca sob o sol da Toscana. Esses mesmos sentimentos me envolveram quando estive em Polignano a Mare, la città dei miei nonni paterni Antonio Centrone e Mariana Scagliusi.

Quando criança e adolescente, passeei por Lucca accompagnata con il mio nonni materno, il lucchesi Enrico Della Santa. Suas histórias me seduziam e nunca imaginei, mesmo sonhando conhecer, andar por suas ruelas medievais de paralelepípedos entre os muros de pedra que a circundam.

Confesso que senti como se uma fada-madrinha mi avesse incantato e portato in queste due città. Na verdade, esse encantamento me acompanhou nos 29 dias da nossa viagem.

Lucca é também a terra natal do pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi e de Giacomo Puccini. Al secondo piano di un antico edificio nel cuore di Lucca, situato nell’appartamento in cui Puccini è nato il 22 dicembre 1858, o Puccini Museum revive esse famoso compositor de ópera nas partituras assinadas de suas primeiras composições, cartas, quadros, pinturas, fotografias, esboços, inclusive no pianoforte Steinway & Sons su cui Giacomo Puccini compose Turandot.

Lucca é encantadora, uma pequena grande cidade. Para percorrer seus 185 km de extensão, de traçado irregular, alugamos um quadriciclo, pois apenas alguns táxis circulam no centro histórico. 

Nós quatro nos acomodamos e partimos para admirar as construções medievais, as muitas torres, os jardins, as mais de 100 igrejas, particularmente a igreja de Santa Zita, que deu origem ao sobrenome da minha mãe – Della Santa. Vovô contava que eles eram descendentes dessa santa, padroeira das empregadas domésticas.

Depois de poucas pedaladas, a Arianne notou que a mochila, onde ela guardava os passaportes, documentos e dinheiro, tinha caído no chão pelo vão que havia nos assentos entre nós duas. Tudo estava naquela mochila. Quase enfartei! 

A Arianne e o Danilo saíram enlouquecidos para procurar. Ma benedetto Dio! Depois de alguns minutos desesperadores e muitas lágrimas, vimos o dono da loja de aluguel de bicicletas na calçada, gesticulando em nossa direção. Lá estava a preciosíssima mochila! Uma senhora, que caminhava por perto, viu a mochila cair. Ela nos chamou para avisar, mas não ouvimos. Então, a benedetta signora entregou a mochila na loja na certeza de que voltaríamos para devolver o quadriciclo.

Che sollievo! Per me è stata l'ennesima dimostrazione che Dio è stato con noi per tutto il tempo. Só tínhamos que agradecer, agradecer e agradecer.

Continuamos o passeio e chegamos à Basilica di San Frediano que fica na Piazza do mesmo nome. Várias capelas da nobreza foram adicionadas ao interior dessa basílica nos séculos XIV a XVI. Entre elas, na nave direita, a capela de Santa Zita, decorada com telas dos séculos XVI e XVII retratando episódios da sua vida.

Zita de Lucca, aos 12 anos, foi trabalhar como empregada doméstica na casa da rica família Fatinelli, à qual serviu por 48 anos, até sua morte, em 27 de abril de 1278, sempre se distinguindo por sua bondade e atos de caridade. 

Ela foi canonizada em 1696 após o reconhecimento de cento e cinquenta milagres atribuídos à sua intercessão. Quando seu corpo foi exumado em 1580, descobriu-se que estava incorrupto após 302 anos enterrado. Dio fa miracoli!

Eu chorei diante do relicário de vidro onde está exposto seu corpo mumificado, deitado em uma cama de brocado. Pensei agradecida: “No meu DNA tem algo dela”. 

Continuando nosso passeio, já sem o quadriciclo, chegamos na Torre Guinigi, a mais importante da cidade, que pode ser avistada de longe porque, no seu topo, há um jardim com sete azinheiras que insistem em crescer nesse local tão inusitado e pouco provável. 

Para chegar lá, é preciso subir 25 lances de escadas, num total de 225 degraus (ela está a 45 metros do solo), mas que garantiram à Arianne e ao Danilo uma vista lindíssima do centro da cidade, da Piazza Anfiteatro, dos Alpes Apuanos, dos Apeninos e do Monte Pisano. 

O Zé Antônio e eu, claro, não nos aventuramos. Fomos explorar as várias lojinhas nos arredores, onde comprei, entre outras coisas, uma camiseta, um moletom e um boné de Lucca para meu amado neto Lucca. 

Almoçamos num restaurante delicioso – a cidade tem boa fama pelas suas escolas de gastronomia e bons restaurantes. No final do dia, fomos para o hotel tomar um banho e voltamos para jantar na Da Ciacco Lucca, famosa por seus lanches feitos na hora, com ciabatta, mortadella, stracciatella di bufala, pomodori secchi e rucola, na Piazza Napoleone.

A cidade estava tranquila e a noite nos convidava a uma caminhada. Foi o que fizemos e, grata surpresa, nós nos deparamos com o teatro onde seria comemorado os 100 anos da morte do grande Puccini.

Che giorno meraviglioso e indimenticabile! 

Pesquisa e texto: LIC

Fonte: Maria Ana Centrone Santini

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

BELLA ITALIA - SEDICESIMO ATTO

pisa, SULLA STRADA PER LUCCA  

Chegamos em Pisa, a cidade da famosa Torre Inclinada (campanário) que é um dos cartões-postais mais conhecidos no mundo. Seu cilindro de mármore branco de 56 metros já tinha certa inclinação quando foi concluído em 1372.

Nela estão abrigados os sete sinos del Duomo di Pisa com sua fachada de mármore cinza, pedra branca e discos de mármore colorido. O interior da catedral é revestido com mármore preto e branco, tem um teto dourado e uma cúpula com afrescos.

O Duomo está situado na Piazza dei Miracoli, onde também se encontram il Battistero di San Giovanni, o maior da Itália, construído na transição do estilo românico para o estilo gótico, e il Camposanto, um cemitério monumental, com afrescos em suas paredes que sofreram graves danos durante um ataque a bomba em 1944, restaurados com o fim da II Guerra Mundial. 

Entramos em Pisa a pé, pois de carro só é permitido para residentes. À medida que nos aproximávamos desse magnífico conjunto de edifícios, tive a impressão de estar entrando num espaço congelado no tempo.

Questa Piazza colpisce per le sue dimensioni e per la sua bellezza architettonica desses quatro monumentos reconhecidos como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Per me, che conoscevo tutto questo solo attraverso foto, film e letteratura, è stato un impatto.

Não pudemos entrar na Catedral nem no Batistério porque estavam em reforma e nem na Torre, pois a fila era gigantesca. Apenas 30 visitantes são admitidos ao mesmo tempo. Não que eu quisesse subir seus três lances de escadas em espiral, com 296 degraus, num edifício com inclinação acentuada, mas a Arianne e o Danilo pretendiam. Me contentei com uma foto do lado de fora “segurando” a Torre.   

Quando tornerò a Pisa, se Dio vuole, sarà lì, ancora appoggiata. Depois de todas as obras para exercer força sobre sua inclinação de quase quatro metros, ela deixou de se inclinar e, aproximadamente, a cada ano, irá endireitar-se um pouco, garantem os especialistas. Portanto, durante os próximos três séculos não haverá motivo para preocupação.

Deixamos Pisa também sem tempo para conhecer dois museus localizados nas extremidades da Piazza dei Miracoli, o Museo delle Sinopie (que expõe os rascunhos dos afrescos destruídos num incêndio do Camposanto) e o Museo dell'Opera del Duomo. Estávamos ansiosos para chegar a Lucca, dove è nato mio nonno Enrico Della Santa, e pretendíamos chegar no entardecer.

Al tramonto, entriamo dalla Porta Elisa, vicino all'hotel  - Villa Lucrezia - in cui alloggiavamo a Lucca, uma cidade escondida entre largas muralhas. Villa Lucrezia é um hotel boutique lindíssimo e tem uma localização extraordinária, a 80 metros das muralhas de Lucca, exatamente em frente à Porta Elisa, uma das principais entradas para o centro histórico.

Quando saímos para jantar - nell'eccellente ristorante Gli Orti di Via Elisa -, caminhando pelos arredores do nosso hotel, eu“vi” il mio nonno andando por lá e me lembrei, com saudade, das histórias que ele contava della sua città con rubinetti che sprizzavano vino. 

Pesquisa e texto: LIC

Fonte: Maria Ana Centrone Santini


BELLA ITALIA - QUINDICESIMO ATTO

 

EMPOLI, SULLA STRADA PER LUCCA

Nossa viagem chegava ao fim. Voltaríamos para o Brasil em 30 de maio. La nostalgia di casa si mescolava alla nostalgia della mia patria adottiva, la bella Italia.

No dia 26, a caminho de Lucca, fizemos uma rápida parada em Empoli. 

O Zé Antônio conhecera um senhor numa lavanderia em Gambassi Terme que, ao saber seu sobrenome, lhe disse que havia muitos Santinis em Empoli. Talvez, o avô dele tivesse nascido lá.

A área de Empoli foi cenário da frente italiana na Segunda Guerra Mundial, fortemente danificada pelos bombardeios. Entre 1943 e 1944, devido ao avanço dos exércitos aliados, os alemães recuavam e Empoli foi violentamente cercada pelos nazistas. Em 24 de julho de 1944, acusados de colaboradores das tropas aliadas, vinte e nove civis foram retirados de suas famílias e fuzilados pelas forças armadas alemãs no que costumava ser chamada de Piazza Ferrucci.

Como era domingo, a cidade estava tranquila. Enquanto o Zé Antônio procurava o cartório para ter informações sobre os Santinis, sentei nessa praça onde há uma lápide com o nome desses civis, que são homenageados pela cidade todos os anos na data do fuzilamento. 

O cartório estava fechado, mas quando voltarmos para casa já sabemos por onde começar para descobrir a origem do avô do Zé Antônio.

Ainda a caminho de Lucca a cidade do meu avô materno, Enrico Della Santa, visitamos Pisa.

Continuiamo nel prossimo capitolo.

Pesquisa e Texto: LIC

Fonte: Maria Ana Centrone Santini

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

BELLA ITALIA - QUATTORDICESIMO ATTO

san gimignano e firenze

Logo cedo, estávamos na estrada novamente, ma non prima di aver fatto colazione con stile na Tenuta Sant’Ilario ao ar livre, diante da paisagem sedutora dos vales da Toscana. Imagens, sons, sabores, cores, odores e toques acalentaram nosso corpo e alma.

Passamos o dia em San Gimignano, uma cidade sobre colinas da Toscana, a sudoeste de Florença, rodeada por muralhas do século XIII. Conhecida como a "cidade das belas torres", teve 72 no seu período de prosperidade, algumas com 50 metros de altura! Atualmente, apenas 13 permanecem de pé.

Na animada e movimentadíssima Piazza della Cisterna, ponto de encontro popular, saboreamos il gelato più buono del mondo, na Gelateria Dondoli. A cidade velha está centrada nessa Piazza triangular repleta de tabernas, lojas, oficinas e cafeterias.

Il giorno dopo... arriviamo a Firenze, uma cidade que respira arte, cultura, beleza e sabores, um museu a céu aberto. Altri desideri, molti desideri realizzati.

O encanto começou quando nós nos vimos diante da majestosa catedral de Santa Maria del Fiore, o Duomo de Firenze, uma das maiores igrejas católicas, resultado de um trabalho que se estendeu por seis séculos. Sua fachada é um enorme e magistral trabalho de mosaico em mármores coloridos em estilo neogótico. Meravigliosa!

Caminhando pelas ruas do centro histórico de Firenze, chegamos à Ponte Vecchio, sobre o rio Arno. Ela é a ponte de pedra mais antiga da Europa, cartão-postal da cidade. Com suas casas e lojas belíssimas de joias a preços proibitivos para mortais comuns, é também uma das mais famosas do mundo.

Conhecemos o Davi de Michelangelo, na Piazza della Signoria, uma das praças mais importantes de Firenze. É deslumbrante tamanha a perfeição, mesmo sendo uma das cópias do original que está na Galleria dell'Accademia, muito próxima da monumental Piazza del Duomo.

A Arianne e o Danilo fizeram uma visita rápida ao Palazzo Medici Riccardi, a primeira residência da poderosa famiglia Medici. Concluído em 1460, é um dos mais notáveis modelos de arquitetura renascentista em Firenze.

Almoçamos novamente a bisteca fiorentina assistindo uma manifestação popular, uma procissão acompanhada com música religiosa, de homens e mulheres com roupas típicas, carregando escudos e bandeiras medievais, desfilando vicino al nostro ristorante “La Grotta Guelfa". Un altro regalo di Firenze a noi.

E, de noitinha, fomos All’Antico Vinaio, à procura de seus sanduíches feitos na hora, com pão italiano e recheados ao gosto do freguês, famosos pelo sabor delicioso. Já de volta à Tenuta Sant’Ilario, esse foi nosso jantar harmonizado com um bom vinho toscano.

Ma a Firenze c'è ancora molto da vedere. Se Dio vuole e lo permette, tornerò quando vivrò già in Italia.

Texto e pesquisa: LIC

Fonte: Maria Ana Centrone Santini

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

BELLA ITALIA - NONO ATTO


POMPEI e IL VESUVIO

No terceiro dia em Nápoles, fomos a Pompeia, distante 24 quilômetros do centro histórico napolitano, localizada aos pés do Monte Vesúvio. 

O Vesúvio domina a paisagem, com uma presença icônica que parece lembrar aos napolitanos que eles vivem sob a ameaça constante de uma erupção iminente, pois ele é um vulcão ativo que pode acordar a qualquer momento. Mas nem essa certeza consegue demover a população que vive aos seus pés.

Pompeia, uma antiga cidade romana, viveu a sua época de máximo esplendor e era uma das cidades mais ricas e prósperas do mundo durante o século I. Numa manhã do ano 79, o vulcão Vesúvio entrou em erupção sem avisar, causando um dos desastres naturais mais violentos da história da humanidade, deixando a cidade destruída, sepultada por muitos anos sob as cinzas, e seus habitantes presos em uma imobilidade eterna. 

A cidade ficou esquecida por mais de 1.600 anos. Redescoberta no século XVI, quando encontraram destroços daquilo que um dia havia sido Pompeia, as escavações para desenterrá-la começaram apenas em 1748.

A visita guiada ao seu sítio arqueológico, chamado de Scavi di Pompei, considerado patrimônio histórico da humanidade pela Unesco, foi uma viagem no tempo. 

O enorme acúmulo de cinzas e detritos vulcânicos protegeram as construções e objetos das intempéries do tempo, preservando a estrutura e as construções da antiga Pompeia, moldando inclusive o corpo das vítimas.

Caminhando pelas áreas abertas ao público (algumas ainda estão sendo escavadas), por suas ruas de pedras rústicas, entre ruínas muito bem conservadas, vislumbramos detalhes do cotidiano de seus moradores, admiramos antigos afrescos e mosaicos que decoravam as residências, zonas de meretrício, o anfiteatro e o foro romano.

De forma perturbadora, senti a energia vinda daquele passado que marcou o rumo da história da cidade.  

Mesmo impactados pela força destruidora desse gigante apenas adormecido, abbiamo concluso la giornata in allegria. Siamo andati a mangiare una deliziosa pizza napoletana nel centro di Napoli, senza rivali, come nessun'altra al mondo. 

Domani ci aspetta la Costiera Amalfitana!

Texto e pesquisa: LIC

Fonte: Maria Ana Centrone Santini

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

BELLA ITALIA - OTTAVO ATTO

 

A NAPOLI

Chegamos em Nápoles no dia 16 de maio, depois de uma viagem longa de 300 quilômetros.

Cruzamos Basilicata, uma região da Itália meridional que faz fronteira a oeste com a Campania, onde está Nápoles, no sul da Itália. 

Nossa chegada a Nápoles foi, mais ou menos, como chegar a São Paulo pela Marginal Tietê às 5h30 da tarde. Se, de maneira geral, i piloti italiani sono spericolati, audaci, temerari, indisciplinati, os de Nápoles são tudo isso ao cubo. O trânsito é caótico.

Nápoles é a terceira cidade mais populosa da Itália, atrás de Roma e Milão. Está cercada por montanhas e fica ao lado do famoso Monte Vesúvio. Banhada pelo mar Tirreno, Nápoles tem um intenso movimento portuário.

Me pareceu muito diferente das cidades já visitadas, recheadas de cenários antigos, retratos de séculos de histórias, algumas também cosmopolitas. Nápoles me fez lembrar da porção antiga do centro de São Paulo, a região do Brás onde minha avó morou e do Mercado Municipal.

Nosso hotel estava numa zona residencial, mais ou menos central, com muitos prédios, quase todos do mesmo tamanho, uns tão próximos dos outros que nosso horizonte era as janelas dos prédios vizinhos. As ruas sem saída, estreitas, de mão dupla, tinham carros estacionados dos dois lados das calçadas. 

À noite, fomos saborear a famosa pizza napolitana na “Pizzaria di Napoli”, uma das melhores e mais antigas da cidade. E conhecemos o centro da cidade – sujo, escuro, pichado, mal cuidado, cheio de becos, desprotegido. Nápoles não é uma cidade 100% tranquila em relação a assaltos e furtos em vias públicas. 

Mas seu centro histórico foi declarado patrimônio mundial pela Unesco. Coisas deste mundo!

Foi em Nápoles que também conhecemos a rusticidade do italiano, de forma visível, tangível e palpável. De maneira geral, é preciso tato e diplomacia no trato com o napolitano.

Siamo arrivati a Capri il giorno dopo, grazie a Dio. Isso porque saímos ilesos ao passar de táxi pela “encruzilhada da morte”, uma esquina do nosso hotel que é um entroncamento de, pelo menos, seis ruas de mão dupla que desembocam numa praça. Sem semáforo, sem preferencial, só rezando um Pai Nosso para se salvar.

A caminho do porto, passamos pela Spaccanapoli, uma rua comprida, reta e estreita que atravessa o antigo centro histórico da cidade de Nápoles, limitada para o tráfego de carros e não aconselhável para turistas. Seu nome significa "Divisor de Nápoles", pois parece dividir aquela parte da cidade.

Embarcamos no ferryboat que nos levaria a Capri, uma grande balsa com vários assentos, como um ônibus aquático, ocupado por gente de todas as tribos, raças e nações. 

Chegando nessa belíssima ilha mediterrânea montanhosa, de origem calcária, tínhamos um barco reservado à nossa espera. Por quatro horas, visitamos várias ilhas e grutas da costa, num belíssimo passeio por um mar de água azul turquesa. Recordei de cenas de vários filmes.

Optamos por não fazer o passeio in funicolare em direção ao Monte Solaro, pois poderíamos admirar os cenários espetaculares que se vê desse ponto mais alto da ilha no passeio de carro que faríamos pela Costa Amalfitana nos próximos dias. 

Abbiamo pranzato sul lungomare, passeggiato lungo il molo principale, preso un gelatino, comprei uma echarpe linda pra mim, aguardando a hora do ferryboat. 

À tardezinha, embarcamos de volta a Nápoles. A chegada ao porto me lembrou a saída de torcedores de um jogo de futebol no Estádio do Pacaembu: gente, muita gente gritando, oferecendo moto, táxi, van. 

Escolhemos ir de van. Era um pouco alta e tive dificuldade pra entrar. Horror dos horrores! Tive a impressão que, se eu demorasse mais dois minutos pra levantar a perna e subir, o motorista ia me pegar e jogar lá dentro. Apesar de sua estranheza, rudeza, seu mal humor e mudez, chegamos sãos e salvos ao hotel. Gloria a Dio, grazia, Signore, che ci ha riportato qui!

Domani andiamo a Pompei.

Texto e pesquisa: LIC 

Fonte: Maria Ana Centrone Santini

terça-feira, 8 de outubro de 2024

BELLA ITALIA - SETIMO ATTO


DA BARI A POLIGNANO A MARE

Depois de quatro horas de viagem, em estradas margeando a costa litorânea, chegamos a Bari. O percurso de aproximadamente 385 quilômetros foi cansativo, principalmente porque convivemos novamente con la spericolatezza degli automobilisti italiani. Eles dirigem como se não tivessem amanhã. Molto stressante.

Bari é uma comune da província de Bari, na região da Apuglia.

Que emoção imensa ao chegar lá. Tudo me pareceu familiar, pois Bari tem um espaço reservado no meu coração desde quando criança eu escutava as histórias que meu pai contava dessa terra distante.

Nós nos hospedamos em um Airbnb de frente para o Adriático. A cor desse mar, de um azul intenso, me pareceu único, indescritível!

Bari é bem fácil de ser visitada a pé. Foi o que fizemos durante todo aquele único dia nessa linda cidade.

Conhecemos a “Strada delle Orecchiette”, uma rua famosa onde as mulheres baresas produzem artesanalmente a típica massa orecchiette, que tem esse nome porque lembra uma pequena orelha. Abbiamo immediatamente aggiunto questa pasta e questa focaccia al nostro menu, símbolos gastronômicos de Bari.

Almoçamos orecchiette ao sugo, proprio come i pranzi della domenica a casa di mia nonna Mariana. Lembro que, já nas proximidades da sua casa, da rua, sentíamos o perfume do molho que ela apurava desde cedo.

Em Bari, a “Conserva Centrone”, cujos produtos em conserva – azeitona, beringela, tomate seco, pimentas, pepinos, picles – são conhecidos até no Brasil, pertence a parentes distantes do meu pai. Infelizmente, não conseguimos manter contato com eles, pois a fábrica estava fechada no dia que fomos até lá.

Encerramos nossa estada no agito da noite barese, nel centro storico, na Piazza del Ferrarese, próxima ao mar, entre bares, restaurantes locais, molte persone, molti giovani, luz e som.

No dia seguinte cedo, seguimos para Polignano a Mare.

Polignano a Mare fica no calcanhar da Itália, a 36 quilômetros ao sul de Bari. Seu núcleo mais antigo fica sobre um complexo rochoso voltado para o mar Adriático.

No decorrer da nossa viagem, foi surpreendente observar a diversificada geografia física e formação geológica da Itália: uma mistura de relevo montanhoso (predominante), belíssimas regiões litorâneas, lagos, falésias e vastas planícies campesinas, como da charmosa região da Toscana. 

Muitas emoções e marcantes experiências sensoriais, que me levaram às lágrimas diversas vezes, estavam por vir.

Em Polignano a Mare, onde meus avós paternos nasceram, ho sentito fortemente la presenza di mio padre, per la passione con cui parlava sempre di questa terra che, purtroppo, non ha mai conosciuto.

Ao olhar o mar de Polignano, vi os olhos do meu neto, o Lucca, naquele azul profundo, numa tonalidade inconfundível, resultado do encontro do tom esmeralda do Mar Adriático com o azul turquesa do mar Jônico.

Nos quatro dias em que ficamos por lá, pudemos presenciar alguns hábitos, costumes, tradições ainda caras aos italianos, como a celebração religiosa da Primeira Eucaristia, na igreja de San Vito, mártir, padroeiro de Polignano. A Igreja Católica Apostólica Romana tem sido a religião dominante na Itália há mais de 1.500 anos.

Em uma das praças, há uma imagem desse santo, provavelmente nascido na Sicília, cuja história está envolvida pela lenda. Filho de um pagão obstinado, aos 7 anos de idade era um cristão convicto e realizava prodígios de curas. Por sua fé, foi martirizado e morto em 15 de junho de 303 d. C. com apenas 15 anos.

Num outro momento, em uma pequena ruela, nos deparamos com uma senhorinha toda de preto. Ela nos chamou e contou em dialeto, que sua filha foi traduzindo, “che suo marito di oltre 60 anni è morto una settimana fa” e que o Zé Antônio lembrava muito ele. Pediu para abraçá-lo e beijá-lo. Nem é preciso dizer que a choradeira foi geral.

Na "Piazza Domenico Modugno", mio padre era di nuovo presente. Papai amava e escutava chorando esse cantor, um polignanesi, que ganhou o mundo cantando “Volare”, uma das mais conhecidas músicas italianas no mundo, lançada em 1958.

Além de explorarmos ao máximo Polignano a Mare nesses dias, visitamos algumas cidades da costa e do interior da Puglia, recheadas de ruínas greco-romanas e povoados milenares: Monopoli, Capitolo, Lecce, no salto da bota, Ostuni, linda, com sítios arqueológicos, muitos ainda a serem explorados, e Alberobello.

Foi com surpresa e alegria que encontrei em Ostuni, na Piazza Sant’Oronzo, a imagem de santo Oronzo (bispo), padroeiro da cidade, origine del nome del mio caro papà: Giuseppe Oronzo Centrone.

Em Alberobello, encontramos novamente San Vito, numa capela antiquíssima que primeiro recebeu sua imagem como santo protetor. Lá, conhecemos, e quase nos hospedamos em um dos “trulli” (plural de “trullo” gr. = “cúpula”), pequenas casas circulares com tetos e cúpulas cônicas, feitas em calcário, sem uso de qualquer argamassa, cimento ou rejunte, apenas pedras. Suas portas e paredes costumam ser brancas, decoradas com símbolos religiosos. Há várias explicações para a origem dessas casas que, atualmente, servem como moradia, hotel, lojas e restaurantes.

Por fim, já a caminho de Napoli, visitamos Matera, considerada uma das mais antigas cidades habitadas, com assentamentos humanos de mais de 10.000 anos atrás e organização social. Matera é famosa por seu centro histórico, conhecido como Sassi di Matera, Patrimônio Mundial da Unesco desde 1993. Os “sassi” (do latim “saxum“ = “colina” ou “grande pedra“) são cavernas esculpidas nas colinas rochosas, construídas umas sobre as outras, unidas por ruas sinuosas e escadarias íngremes, habitadas desde a Antiguidade. A Arianne e o Danilo visitaram uma igreja em uma dessas cavernas decorada com afrescos pagãos. Durante as duas Grandes Guerras, muitas famílias se refugiaram ali, o que confirmamos nas fotos penduradas nas paredes do restaurante em que almoçamos, adaptado em uma dessas sassi.

* * *

VOLARE - NEL BLU DIPINTO DI BLU
Penso che un sogno così non ritorni mai più
Mi dipingevo le mani e la faccia di blu
Poi d'improvviso venivo dal vento rapito
E incominciavo a volare nel cielo infinito

Volare oh, oh
Cantare oh, oh
Nel blu dipinto di blu
Felice di stare lassù
E volavo, volavo felice più in alto del sole
Ed ancora più su
Mentre il mondo pian piano spariva lontano laggiù
Una musica dolce suonava soltanto per me

Volare oh, oh
Cantare oh, oh
Nel blu dipinto di blu
Felice di stare lassù
Ma tutti i sogni nell'alba svaniscon perché
Quando tramonta la luna li porta con sé
Ma io continuo a sognare negli occhi tuoi belli
Che sono blu come un cielo trapunto di stelle

Volare oh, oh
Cantare oh, oh
Nel blu degli occhi tuoi blu
Felice di stare quaggiù
E continuo a volare felice più in alto del sole
Ed ancora più su
Mentre il mondo pian piano scompare negli occhi tuoi blu
La tua voce è una musica dolce che suona per me

Volare oh, oh
Cantare oh, oh
Nel blu degli occhi tuoi blu
Felice di stare quaggiù
Nel blu degli occhi tuoi blu
Felice di stare quaggiù
Con te

Texto e pesquisa: LIC 

Fonte: Maria Ana Centrone Santini

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

BELLA ITALIA - SECONDO ATTO

SIAMO ARRIVATI A MILANO

Nel Primo Atto, chegamos na Itália, a Milano.

Mas, até então, estivemos em um avião por cerca de 12 longas horas.

A viagem foi bastante desconfortável, mesmo nos assentos da classe econômica premium.

Nos 40 cm de largura dos assentos, eu e o senhor (muito grande) ao meu lado tivemos que nos encolher na hora do jantar pra não literalmente entornar o caldo. 

Às 5 da manhã, aterrissamos em Malpensa – Zé Antônio, meu marido, Danilo e Arianne, meus filhos, eu e mais 496 outros passageiros.

Como acontece em todo aeroporto internacional, fomos apartados – “passaporto europeo qui, passaporto brasiliano lì” – por um dos aeroportuários de uma delicadeza digna de um rinoceronte.

A fila per i passaporti brasiliani era imensa e lenta. 

Quando meus joelhos reclamaram atenção, fui descansar num banco próximo.

Por obra e graça de Deus, uma funcionária do aeroporto me descobriu. Me justifiquei por estar sentada quando todo mundo estava de pé.

Ai dos orgulhos! Se não se declarar idoso, você morre na fila. Descobri isso nesse instante e tirei a prova dos nove ao longo da nossa viagem.

Ela nos levou – eu e minha companhia limitada – até o atendimento preferencial.

Com os passaportes carimbados com o "permesso italiano" após passarmos pelo controle, nos sentimos na Bella Italia finalmente.

Gloria a Dio!

Depois de um parto a fórceps para conseguir na locadora o carro que contratamos, rodamos cerca de 40 km até nosso hotel, no centro de Milão.

A partir de então, acionei o modo encantamento. Os olhos veem o que o coração está cheio. Tudo me parecia lindo!  

Doze horas depois do desembarque, “almoçamos” in una trattoria vicino all'hotel. Foi um manjar dos deuses. 

Exaustos, fomos dormir, pois o Duomo di Milano nos aguardava no dia seguinte.

Que deslumbramento diante daquela obra da genialidade humana, construída com o maravilhoso mármore branco rosado das cavernas de Candoglia, em Val D’Ossola, durante cinco séculos.

Chorei de gratidão por estar ali, por ter o privilégio de ver aquele impressionante duomo Dei!

Ainda visitamos a Galleria Vittorio Emanuele II e, naquele mesmo dia, deixamos Milão rumo a Brescia.

Uma amiga querida e sua família estavam nos esperando em Gussago!

Ci vediamo là!

Texto e pesquisa: LIC

Fonte: Maria Ana Centrone Santini