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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Desperte!

   A causa geral do sofrimento humano é resultado da mente. Falando de maneira gráfica e aproximativa, diria que 80% ou 90% do sofrimento é uma questão subjetiva. Poderíamos dizer que o novo nome do “inferno” é “mente”, porque não devemos esquecer que “inferno” significa “sem saída”, e onde não existe saída existe prisão, e onde existe prisão existe angústia.
   É a mente que aperta e asfixia o pobre homem entre seus muros circulares até que ele se sinta sufocado, sem saída possível. Ou melhor, é a mente que se sente aprisionada em si mesma.
   Não há pior prisão nem mais dura escravidão que uma mente ocupada com suas obsessões. Mas essa notícia, em vez de ser amarga, é uma boa notícia porque, assim como nossa mente gera a angústia, também pode gerar a liberdade. Tudo está em nossas mãos: o bem e o mal. O problema é um só: despertar. - Ignacio Larrañaga, A Arte de Ser Feliz 2012, pp. 33-34.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Quando o pó assenta...

   Deus não pode entrar nos castelos levantados sobre dinheiro, poder e glória. Quando tudo dá certo na vida, o ser humano tende insensivelmente a concentrar-se em si mesmo – grande desgraça, porque se apodera dele o medo de perder tudo e vive ansioso, sentindo-se infeliz. Para o homem, a desinstalação é justamente a salvação.
   Por isso, se Deus Pai quer salvar seu filho aninhado e adormecido no leito da glória e do dinheiro, não tem outra saída senão dar-lhe uma boa sacudidela. Quando o mundo naufraga, fica flutuando uma poeira espessa que deixa o filho confuso. Mas, quando o pó assenta, o filho pode abrir os olhos, despertar, ver a realidade clara e sentir-se livre. - Ignacio Larrañaga, O Irmão de Assis 2012, p. 13.

domingo, 3 de agosto de 2014

Os castelos ameaçam ruína

   Toda transformação começa por um despertar. Cai a ilusão e fica a desilusão, desvanece-se o engano e sobra o desengano. Sim, todo despertar é um desengano, desde as verdades fundamentais do Príncipe Sakkiamuni (Buda) até as convicções do Eclesiastes. Mas o desengano pode ser a primeira pedra de um mundo novo.
   Se analisarmos as origens dos grandes santos, se observarmos as transformações espirituais que ocorrem ao nosso redor, descobriremos em tudo uma espécie de passo prévio, um despertar: o ser humano convence-se de que toda a realidade é efêmera ou impermanente, de que nada possui solidez, a não ser Deus.
   Em toda adesão a Deus, quando é plena, esconde-se uma busca inconsciente de transcendência e de eternidade. Em toda saída decisiva para o Infinito, palpita um desejo de libertar-se da opressão de toda limitação e, assim, a conversão transforma-se na suprema libertação da angústia.
   Ao despertar, o ser humano torna-se um sábio: sabe que é loucura absolutizar o relativo e relativizar o absoluto; sabe que somos buscadores inatos de horizontes eternos, e que as realidades humanas só oferecem marcos estreitos que oprimem nossas ânsias de transcendências, e assim nasce a angústia; sabe que a criatura termina “aí” e não tem escapatória, por isso seus desejos derradeiros permanecem sempre frustrados; e sabe principalmente que, no final das contas, só Deus vale a pena, porque só ele oferece meios para canalizar os impulsos ancestrais e profundos do coração humano. - Ignacio Larrañaga, O Irmão de Assis 2012, pp. 11-12.