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quinta-feira, 23 de maio de 2024

A BROA DE FUBÁ


O psicanalista Rubem Alves foi entrevistado pelo diretor de teatro Antônio Abujamra no programa "Provocações" em 3 de maio de 2011.

A uma das provocações que o Abujamra lhe fez - "a vida é uma causa perdida?" -, o Rubem respondeu, entre outras coisas, afirmando que a vida está cheia de algo maravilhoso que se chama alegria.

Citou, então, uma frase de Guimarães Rosa: “Alegria só em raros momentos de distração".

E não é que o Guimarães tem razão?! Pois eu estava distraída quando senti alegria naquele dia.

Era uma tarde fria e chuvosa. Sentei pra tomar um chá e comer a broa de fubá que acabara de comprar na padaria.

Se algum dia o manjar dos deuses do Olimpo existiu - a ambrosia -, seu sabor divino estava naquela prosaica broa de fubá.

A sensação de prazer foi intensa logo na primeira bocada. A alegria veio na sequência, como um produto interno bruto, original, de raiz!

Comi o restante da broa vorazmente pra sentir mais alegria, mas ela se fora.

Pois ela - a alegria - vem em pequenos bocados, em curtos momentos, tão repentina e fugazmente como um relâmpago.

É uma regalia da alma humana. Nem os anjos, tão próximos de Deus, a suprema alegria, conseguem senti-la.

Eles são imortais e a alegria se dá no tempo - no presente, num instante, sem programação.

E pode ter o "preço" de uma broa de fubá.

LIC, 23 maio 2024

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Mais sobre a alegria

Disse um amigo ao outro, sobre a ponte:
- Olha como os peixes estão alegres no rio.
O outro replicou:
- Como é que tu, que não és peixe, sabes que os peixes estão alegres no rio?
O primeiro respondeu:
- Por minha alegria em cima da ponte. Apólogo chinês - Ignacio Larrañaga, Sofrimento e Paz 2013, p. 5.
Terry GILECKI | Paint Brush
   Lembre-se sempre que a existência é uma festa, e viver é um privilégio. Há uma planta que você tem que cultivar diariamente com especial cuidado e carinho: a alegria. Quando essa planta inundar sua casa com a sua fragrância, todos os seus irmãos, e até os peixes do rio, vão saltar de alegria. - Ignacio Larrañaga, Sofrimento e Paz 2013, pp. 82-83.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ainda sobre a alegria

Evangelii Gaudium*

5. O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida insistentemente à alegria. Apenas alguns exemplos: "Alegra-te" é a saudação do anjo a Maria (Lc 1, 28). A visita de Maria a Isabel faz com que João salte de alegria no ventre de sua mãe (cf. Lc 1, 41). No seu cântico, Maria proclama: "O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador" (Lc 1, 47). E, quando Jesus começa o seu ministério, João exclama: "Esta é a minha alegria! E tornou-se completa!" (Jo 3, 29). O próprio Jesus "estremeceu de alegria sob a ação do Espírito Santo" (Lc 10, 21). A sua mensagem é fonte de alegria: "Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria e a vossa alegria seja completa" (Jo 15, 11). A nossa alegria cristã brota da fonte do seu coração transbordante. Ele promete aos seus discípulos: "Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há de converter-se em alegria" (Jo 16, 20). E insiste: "Eu hei de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria" (Jo 16, 22). Depois, ao verem-No ressuscitado, "encheram-se de alegria" (Jo 20, 20). O livro dos Atos dos Apóstolos conta que, na primitiva comunidade, "tomavam o alimento com alegria" (2, 46). Por onde passaram os discípulos, "houve grande alegria"(8, 8); e eles, no meio da perseguição, "estavam cheios de alegria" (13, 52). Um eunuco, recém-batizado, "seguiu o seu caminho cheio de alegria" (8, 39); e o carcereiro "entregou-se, com a família, à alegria de ter acreditado em Deus" (16, 34). Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?

*exortação apostólica do papa Francisco publicada em 2013
Fonte: http://www.news.va/pt/news/primeira-exortacao-apostolica-de-papa-francisco-te

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Sobre a alegria

   A pobreza mais profunda é a carência de alegria. Esta pobreza está hoje presente nas sociedades pobres e ricas. A incapacidade de alegria produz a incapacidade de amar e esta, por sua vez, arrasta invejas e outros sentimentos mesquinhos. - Ignacio Larrañaga, Carta Circular nº 23, p. 11.