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domingo, 7 de julho de 2024

PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO... E

Certo dia...

Assisti, pela segunda vez, "Primavera, Verão, Outono, Inverno...e Primavera".

Até então, só a beleza da fotografia me impressionara.

Mas, daquela vez, o nome do filme chamou particularmente minha atenção, pois me sugeriu o movimento do Universo em um moto-perpétuo.

Estou estudando cosmologia e a mecânica celeste, aparentemente, se movimenta em um moto-contínuo, com tudo funcionando perfeitamente e ainda produzindo energia em grande quantidade.

O sol, a lua, as galáxias, os planetas percorrem sempre a mesma órbita. Os anos, os meses, as semanas, os dias e as horas se sucedem sempre iguais.

Os lobos devoram cordeiros. As aves voam e as serpentes rastejam.

O bem-te-vi canta sempre o mesmo canto. A macieira sempre dá o mesmo fruto.

Na Primavera, chegam as andorinhas e, no Outono, elas partem.

Os animais e o ser humano se multiplicam sempre da mesma forma.

O sangue que circula no meu corpo percorre sempre o mesmo caminho.

O que vive se repete continuamente dentro de padrões numa lealdade inconsciente ao Princípio, ad aeternum.

Fui direto à fonte original para saber o por quê de tanta mesmice.

"A repetição gera convicção", foi a resposta. 

Mas por que ainda não estamos convictos de que tudo está bem, de que é assim que tem que ser?

Adão e Eva tem uma desculpa desculpável: tinham acabado de chegar no Jardim do Éden, tiveram tudo isso por só uma vez.

Mas e nós? Estamos nessa mesmice há cerca de 2 milhões de anos. Por que ainda não nos convencemos que depois da Primavera, Verão, Outono e Inverno... vem a Primavera outra vez?

Acho que estamos confusos sobre o que pode nos tornar felizes. 

Assista ao filme.

LIC

terça-feira, 29 de julho de 2014

COMO UM OUTRO DIA QUALQUER


Em algum lugar do planeta Terra…

Amanhece, para todos, mais um dia do Senhor, num mundo que pertence a Deus.

Terráqueos despertam de sonhos vãos e são obrigados a viver, obedientes aos desígnios do Universo.

O destino os espreita.

Aguardam, a todos, hábitos cotidianos, os lugares e os outros.

De afazeres se ocupam na tentativa de esquecer a presença constante da morte.

Aos prazeres se entregam acreditando serem livres, mas amam e odeiam sob o jugo dos deuses.
 
Na incerteza se este será o último dia de espera, copulam desejando a imortalidade.

Invadem espaços na tentativa de encontrar o além, sem se dar conta de que o ponto de partida é o mesmo de chegada.

Vão e voltam, num moto-contínuo.

Anoitece, para todos, mais um dia do Senhor, num mundo que pertence a Deus.

Fatigados pela repetição secular do existir, adormecem.

Crentes, ingênuas criaturas, de ter, amanhã, mais uma chance de descobrir o que são.

LIC, jan. 2000