domingo, 27 de outubro de 2024

BELLA ITALIA - DECIMO ATTO

Costiera Amalfitana

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Pois isso é a pura verdade em se tratando da Costiera Amalfitana.

Este capítulo, portanto, terá mais imagens que texto. Ao longo do passeio, aproveitamos os mirantes para registrar com muitas fotos o que admiramos nesse dia.

Maravilhoso, impressionante, diferente, surreal, bucólico, impactante é como, insuficientemente, consigo traduzir a beleza dessa área de 50 km às margens do Mar Tirreno, ao sul da Itália, na região da Campânia.

Considerado patrimônio da Unesco, esse pequeno trecho nos presenteou com cenários naturais deslumbrantes adornados pelo mar de cores azuladas, enormes montanhas, pequenos vilarejos cheios de história e excelente gastronomia!

Percorremos a Costa de carro, pelas estradas estreitas, tortuosas e de mão dupla à beira das encostas e na companhia dei nostri già noti piloti italiani impazziti. Apesar do stress que isso provocou, não foi capaz de abalar minha alegria, minha felicidade, meu encantamento com esse trecho do nosso roteiro. 

Não descemos em Amalfi por dois motivos: meu cansaço, que me impediu, por algumas vezes, de subir, descer escadarias e ruas íngremes, e pela dificuldade de encontrar lugar para estacionar o carro.

Abbiamo visitato a piedi Positano e Sorrento, due delle tante belle città di questo pezzo di terra, montagna e mare benedetto da Dio.

Almoçamos em Positano e circolamo per le sue strade piene di negozi, ristoranti e gelaterie, entre muita, muita gente que disputava com muitos, muitos carros e ônibus os mesmos espaços geográficos. Nas ruas de Positano, dois corpos podem ocupar o mesmo lugar do espaço, contrariando uma das leis de Newton.

Sorrento é encantadora e charmosa, tanto que foi imortalizada nas obras de grandes artistas, como Byron, Goethe e Wagner. Como é uma cidade mais plana, andamos bem mais por lá. Até pudemos descansar e, sentados, admirar a praia que já víamos mais próxima.

O Zé Antonio visitou uma plantação dos limões da costa sorrentino-amalfitana com que se faz o famoso limoncello, um delicioso licor doce produzido pela infusão das cascas desse fruto em álcool. 

E, para coroar com requinte esse passeio, ao ver aquela Ferrari vermelha no estacionamento de um hotel por onde passávamos, não me contive. Encostei nela e tirei uma foto: “Sono a Sorrento e ho una Ferrari”. Quale gloria!

No final do dia, retornamos a Nápoles. Era la nostra ultima volta lì e abbiamo concluso con una vera pizza napoletana.

Texto e pesquisa: LIC

Fonte: Maria Ana Centrone Santini

terça-feira, 22 de outubro de 2024

O COLECIONADOR DE OSSOS

Acordei preocupada porque fui dormir preocupada por causa do filme que assisti ontem à noite.

Era um drama de suspense em que dois policiais investigam os crimes de um serial killer. O assassino sequestra e mata suas vítimas com requintes de crueldade.

Depois do terceiro assassinato, desliguei a televisão. 

Por pior que seja o filme, vou até o fim, mas meu hipotálamo foi ativado, ativou minha glândula pituitária que desencadeou a liberação de adrenalina, noradrenalina e cortisol. 

Resumindo, comecei a ficar com medo.

Antes de ir pra cama, enviei mensagem pra meus filhos. Como diz a Mafalda do Quino, muitos desnorteados estão despertos à noite, até na Cochinchina.

Precisava me certificar que todos estavam a salvo. Um deles não me respondeu nem deu confirmação de leitura.

Tentei controlar aquela descarga de hormônios. 

Tranquei as janelas e portas da entrada social e a de serviço a sete chaves.

Acendi todas as luzes do meu apartamento (lembrei de 📽 "Um clarão nas trevas"), tomei banho de olho na porta do banheiro que deixei escancarada (lembrei de 📽 "Psicose"), fui até a cozinha ver se as bocas do fogão estavam apagadas, aproveitei pra comer uma banana, tomei um copo d’água. Dizem que melhora o sono e contribui para a homeostase corporal.

Nisso, o relógio da igreja badalou 12 vezes.  

Como o dever sempre bate à minha porta, fui dormir. Tinha agendado uma reunião online para 8h da manhã do dia que estava prestes a começar.

Acordei às 5h30. Ao abrir meu celular, uma mensagem saltou aos meus olhos. “Hoje é uma página ainda em branco.”

“Sim, concordo. Mas já tem compromisso ocupando as linhas das 8h às 9h30.”, pensei. “O restante da página vou escrever com...”

Eu ainda não sabia, pois dependia da mensagem que eu esperava daquele filho que nem dera confirmação de leitura – “Se Deus é Pai, ele está bem!” – e do resultado da reunião.

Fui caminhar no parque, sem celular, pra baixar a ansiedade. Voltei pra casa depois de uma hora de caminhada moderada, com boa dose de endorfina.

Abri o celular. Meu filho disse que estava tudo bem, fora dormir cedo. A reunião fora adiada.

A página daquele dia estava totalmente em branco! Por um instante, fiquei sem saber o que “escrever”.

Foi quando o filme, aquele filme de ontem à noite, começou a me atrair. Desliguei o celular, liguei minha Smart TV.

A maldade me paralisa, mas personalidades "nefastas" atraem minha curiosidade. Por que algumas pessoas têm prazer em ser cruéis? Queria respostas.

O serial killer matou com requintes sádicos mais três pessoas, mas seu instinto assassino foi frustrado na última tentativa. 

E que decepção, que resposta reles o escritor (o filme foi baseado num romance) deu pra tanta maldade! 

Os assassinatos eram apenas um plano de vingança contra um dos dois investigadores.

Meia página do meu dia fora mal “escrita”.

Por isso, digo e repito, leia os clássicos!

Pelo menos, o assassinato perpetrado por Raskólnikov, em Crime e Castigo, tinha motivações filosóficas, o que, de maneira nenhuma, o justifica. 

Mas nos faz refletir sobre as sombras da alma, sobretudo na possibilidade de redenção humana.

Na meia página restante desse dia, "escrevi” a rotina da minha tranquila, estável e imutável vida.

LIC