terça-feira, 6 de agosto de 2024

ZURI OU FELIZ DE SER O QUE SOU

Você sabia?

As girafinhas caem de uma altura de até 2 metros quando nascem!

É porque a mamãe girafa tem seus bebês em pé.

Foi assim que a Zuri nasceu num dia do mês de agosto.

Gigi, sua mãe, e Rafic, seu pai, ficaram muito felizes, pois era sua primeira filhota. Ela era linda como um amanhecer na savana.

A savana é onde as girafas vivem, lá na África, um pedaço grande, muito grande de terras.

A Zuri não se machucou depois desse tombaço porque as mamães girafas escolhem um lugar da savana com bastante capim para suavizar a caída do seu bebê.

Uns poucos minutos depois, a Zuri se levantou. Ela estava com fome e precisava ficar de pé para mamar.

Por um bom tempo, ela tomou muito leite e foi crescendo, crescendo e crescendo.

Ficou tão alta que, se morasse aqui na cidade, conseguiria olhar pela janela do segundo andar de um prédio sem sair do chão.

A Gigi e o Rafic, então, lhe ensinaram a comer o que toda girafa gosta: folhas, frutos e flores, principalmente acácias.

Acácia era o prato predileto dos seus pais. A Zuri gostou tanto que é o seu preferido também.

Num dia de domingo, eles saíram para almoçar acácias. 

No caminho, um jipe passou por eles - sempre tem gente visitando as savanas - e alguém de lá dentro disse: "A girafa é um bicho engraçado, parece que nasceu todo errado, e anda de um jeito desengonçado!".

Ao ouvir isso, a Zuri se assustou e ficou triste, mas seus pais nem ligaram, pois já tinham escutado essas coisas muitas vezes! 

"Será que é verdade"?, ela se perguntou. Na dúvida, começou a fazer um milhão de por quês: "Por quê nós temos esse pescoção, papai; por quê nossas pernas são tão longas, mamãe; por quê nós temos pintas, por quê nossa língua é azul, por quê, por quê, por quê?

Gigi e Rafic, pacientemente, responderam a todos os por quês enquanto almoçavam.

Voltando para casa, eles cruzaram novamente com aquele jipe.

A Zuri, satisfeita de acácias e dos porquês, muito feliz e orgulhosa de ser uma girafa, mostrou sua enorme língua azul pra eles.

LIC

Para Luca, Felipe, Carolina, Thomas

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

MINDFULNESS


"Você pode não acreditar, mas aconteceu. Ontem, fui tomar banho, me enxuguei e, depois que eu já estava pronta, vestida, parei e me perguntei: 'Meu Deus, eu passei sabonete?' Sem ter certeza, cheirei meu braço."

Ana Bela contou isso pra sua psicoterapeuta, assustada como sua vida estava no piloto automático.

Saiu do consultório se perguntando se não estava na hora de mudar o modo de ser, de estar na vida.

Todo dia, passeava com seu pet no mesmo horário. Só comia pão com manteiga Aviação, sem sal. Ia pro trabalho e voltava pelo mesmo trajeto. Assistia a missa sempre no mesmo banco da igreja. Repartia o cabelo da esquerda pra direita desde tanto tempo que nem se lembrava de quanto.

Sentiu que estava deixando de ser senhora absoluta na sua própria casa. A rotina a comandava. Foi tentada a romper com ela.

"Vou abrir portas e janelas pras novidades e criar novas conexões sinápticas entre meus neurônios, mudar o sistema operacional do meu cérebro", decidiu.

Dito e feito.

Experimentou e um mês sem rotina lhe gerou desconforto, incerteza e insegurança, até pro Zeca, o pet.

Foi quando lembrou que rotina era a norma na casa de seus pais, desde a hora de acordar, de tomar banho ao cair da tarde, até o cardápio das refeições em cada dia da semana.

Viviam de bom acordo com ela e a vida fluía.

Levou tudo isso pra sessão de terapia.

Saiu do consultório pensando o quanto fora impactada pelo jeito de viver da sua família.

Separando o joio do trigo, resolveu reproduzir o que fora bom.

Trocou a terapia por um aplicativo de mindfulness.

LIC