quarta-feira, 26 de novembro de 2025

SHAKESPEARE, HOMEOPATIA E ALOPATIA

 

“Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.”

Esse aforismo de Shakespeare me fez lembrar de uma lombalgia, a que eu tive naquele mês, uma dor na região lombar que a Medicina classifica como aguda ou crônica dependendo de como aparece e do tempo de duração.

Apareceu inesperadamente. Fui dormir bem, acordei mal. Acreditei que seria de curta duração e encontrei rapidamente a causa. “Tenho que voltar a fazer musculação.” Eu abandonara a academia por contraposição de gostos e gastos entre nós.

Atualmente, pratico corrida lenta e relaxada. Já pratiquei – na minha década dos 30 – corrida de intensidade elevada e rápida, com objetivo de performance, mas sem espírito competitivo. Tenho “preguiça” de superar a mim mesma.

E isso começou quando, por causa do Dr. Cooper, correr se tornou o esporte para todos. Praticar “cooper” podia ser num parque público ou na rua, na hora que se quisesse ou pudesse, com apenas dois pré-requisitos: roupa e tênis adequados. Eram os anos 70, período que ficou conhecido como o do “boom da corrida”.

Depois dessa divagação, justificando a necessidade de exercícios de musculação se eu quiser continuar a correr, volto à lombalgia.

O diagnóstico correto e preciso foi feito pelo meu médico homeopata. O tratamento começou no dia 5 daquele mês com as seguintes prescrições: cinco gotas de Arnica Montana 6CH três vezes ao dia, massagem reparadora com óleo concentrado de arnica, bolsa de água quente de manhã e à noite, fisioterapia, evitar carregar peso, correção postural e nada de corrida.

Vinte e um dias depois, continuava lá, me impedindo de ficar em pé ou sentada por mais que 15 minutos, de me curvar (descobri o quanto faço objetos caírem no chão), de girar o tronco, de dormir confortavelmente, vestir e calçar sapatos etc.

Alguém aguenta dor bem-humorado? Pois nem eu. O mau humor foi chegando, consumindo minha energia mental. Como para esse mau não há remédio, apelei.

Sem consultar meu médico, fui à drogaria do Carlos, me “consultei” com o farmacêutico de plantão sobre qual antinflamatório de venda livre estava em alta popularidade, comprei e iniciei a ingestão imediata segundo a posologia recomendada na bula. Nem li os possíveis efeitos colaterais. O que os olhos não veem, o corpo não sente.

No primeiro dia, nada aconteceu. No segundo dia, leve desconforto ao me curvar (os objetos continuavam escapando das minhas mãos). No terceiro dia, incômodo só ao deitar. No quarto dia, já calçava os sapatos como uma jovem. No quinto dia, ela tinha ido embora e... ganhei uma gastrite.  

Alopatas de plantão, me recomendaram omeprazol. Dessa vez, li a bula online antes de comprar.

Como um bom filho à casa torna, eu voltei. Me curei com chá de espinheira-santa e paciência.

Moral da história: Shakespeare e a Homeopatia são precisos.

LIC

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por sua visita. Para preservar a integridade deste Blog, todas as mensagens serão lidas antes de serem publicadas.
Se você gostou do conteúdo deste Blog, compartilhe.